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terça-feira, 29 de maio de 2018

A rebelião dos caminhoneiros na encruzilhada - grupo Iniciativa Revolução Universal

(english translation)

Recebemos do grupo Iniciativa Revolução Universal estas duas interessantes análises da greve dos caminhoneiros, que nos foram enviadas ontem, dia 28/05:


A REBELIÃO DOS CAMINHONEIROS NA ENCRUZILHADA!
Fechar estradas para abrir caminhos!

Envolvida na maior rebelião desde 2013, a classe trabalhadora brasileira reaparece no cenário histórico. As revoltas e protestos no Carnaval, a onda de manifestações com a morte de Maríelle Franco eram sinais anunciadores da atual rebelião social. Antes foi brecada pela manipulação/polarização eleitoral, pelo golpe de 2016, por demagogias espetaculares de jornalistas e juizes tentando salvar o sistema pelo falso discurso de "moralização da política"- tentativa de usara classe trabalhadora como bucha de canhão na disputa entre burgueses, pelo Estado e pela sede do governo que hoje é o STF - pela deterioração ainda maior das suas condições de sobrevivência, após várias lutas nos últimos anos - contra Copa e Olimpíadas, contra privatizações, contra a repressão, contra a militarização, contra a precarízação no funcionalismo, contra despejos, contra reformas educacionais e após as greves/revoltas de março-junho de 2017- Fragilidades e flagrantes sabotagens a tais lutas, vindas dos dois braços do Estado ("direita" e “esquerda"), voltam a ameaçar a exemplar rebelião dos caminhoneiros, que paralisou a economia do país e que apesar da perseverança e da determinação com que está sendo conduzida, precisa identificar os obstáculos e inimigos para se fazer triunfante. Todo apoio aos trabalhadores em luta! Pela construção da greve geral insurgente!

Possibilidades e ameaças à atual luta social no Brasil: a luta dos caminhoneiros mostra um forte potencial de transformação social, mobiliza o conjunto da classe trabalhadora em seu apoio. Suas possibilidades de triunfo aparecem em várias características:

• Espontaneidade: fora das lendas da imprensa e dos políticos que querem isolar o movimento, a greve começou antes dos sindicatos decretarem “apoio” a partir de 21 de maio. Vários caminhoneiros passaram a não realizar entregas e se ausentaram dos fretes, quando da alta dos combustíveis, até haver o bloqueio das estradas. Tal espontaneidade está impedindo que os sindicatos e partidos eleitorais consigam ter total controle da luta. As decisões tomadas nos piquetes e meios virtuais (Facebook e Whatsapp) passam fora dos canais eleitorais e sindicais e substituem as assembleias gerais presenciais.

Generalização/ação estratégica: o alcance e o impacto do movimento chegam a todo o território nacional, tornando-o a maior rebelião desde 2013. Cortou as rotas comerciais e de combustíveis do país, Estrangulou a economia capitalista, rendendo patrões e governo. O governo pretende mover efetivos militares contra a luta, e são propostas ações como bloquear todos os acessos a Brasília. A inteligência tática da greve, demonstrada por uma categoria de trabalhadores que conhece as veias e artérias logísticas do país faz desse movimento de luta indispensável para a paralisia e derrota do Estado.

Simpatia e solidariedade de classe: como na rebelião de 2013, as lutas ligadas à questão do transporte são e serão decisivas nas lutas sociais de amanhã. Antes a radicalização social ocorreu por causa das tarifas do transporte urbano. Agora, por causa do gasolinaço de Temer. O transporte é o grande vilão da piora do custo de vida, pois impacta diretamente os preços finais e devora os salários. A classe trabalhadora brasileira entrou em imediato processo de apoio ao movimento: em várias cidades e estados foram criados comitês de apoio, cedendo comida e recursos aos grevistas. Várias outras categorias: perueiros, motoristas de vans escolares, motociclistas, petroleiros, estivadores, estão somando apoio. A luta dos caminhoneiros torna-se a luta de todos, causa simpatia imediata e o que decidirá seu sucesso, além dos bloqueios nas estradas, e da firme e inegociável perseverança será a solidariedade da classe trabalhadora em conjunto.

Não são poucas as ameaças ao movimento: empresários do transporte/donos de frota estão tentando usá-lo para arrancar apoio financeiro do governo e ampliar seus lucros, às custas do penoso e ininterrupto trabalho dos caminhoneiros. Os sindicatos que dizem falar em nome dos caminhoneiros tudo fazem para brecar a greve, tentando dois acordos com Temer (25 e 27 de maio), que só não tiveram resultado porque os trabalhadores, desconfiados desses falsos amigos, rejeitaram os acordos.A infiltração da direita militante patriótico-fascista, tentativas de isolamento da greve pela imprensa e pelo setor de “esquerda” do capitalismo são as ameaças mais graves e atacam o movimento por dentro e por fora. Fazem parte de uma única estratégia.

A estratégia para desmontar o movimento: usando a tática do alicate, com a “direita” e a “esquerda” pressionando a derrota da luta, o Estado e os patrões lançam uma dinâmica bem armada e articulada, com os petistas/pseudo-esquerdistas de um lado em total solidariedade com os bolsonaristas/defensores de ditaduras militares do outro. Os maiores beneficiados com isso são o governo Temer, os patrões e o cartel nacional e internacional do petróleo. Isso acontece porque o movimento não tem um direcionamento claro, seu significado e identidade estão em disputa. O desgaste da “esquerda” sindical-eleitoral impediu sua implantação na greve, parte dela só contribui com apoio retórico. O uso teatral, intimidante, mas limitado do exército que ainda não caracteriza golpe militar contribui à farsa, embora os generais já lancem olhares gulosos ao poder.

• A ação da “direita”: vendo o potencial e a espontaneidade do movimento, os grupos da direita militante se infiltraram, concentrados em 3 objetivos: a) assumir o controle de um movimento da classe trabalhadora (o que a direita raramente conseguiu na história) e assim ter um público fiel às suas ambições políticas: agitação pré- eleitoral e respaldo a um possível golpe militar, b) acima de tudo, fazer campanha eleitoral para Bolsonaro, desviando e tirando o objetivo do movimento das mãos dos trabalhadores, c) sujar o movimento e acelerar seu isolamento, pois Bolsonaro e a direita patriótico-fascista sabem que o conjunto da classe trabalhadora é antipático às suas bandeiras e se tentam aparecer como donos da greve, maior será a rejeição à luta dos caminhoneiros. A direita, no entanto é minoritária no movimento e sua ação tem vindo mais de fora do que de dentro, através de supostos “apoiadores” indo ao encontro dos caminhoneiros ou de “protestos” que imitam as marchas regressistas de 2015-16. Vereadores, políticos municipais e estaduais também tentam fazer palanque com a greve e trazem seu apoio...a eles mesmos!

• A sabotagem “esquerdista”: articulada com a “direita” e em parceria com a mídia a “esquerda” do capitalismo tem se dedicado desde o início a três ações: a) difamar o movimento, dizendo ser uma “greve de patrões” (locaute) ou de uma greve de fascistas em apoio a um golpe militar resultante do “caos” intencionalmente provocado pela greve - para isso contam com a cobertura da mídia que calculadmente só mostra as faixas e bandeiras em favor de Bolsonaro e de um golpe militar (além de explorar as cenas de desabastecimento), reduzindo a greve a essas pautas, b) através das suas centrais sindicais (CUT, UGT, etc.), isolar a greve, forçando outras categorias profissionais a não aderir, tentando impor um cordão sanitário contra a mesma...contudo a estratégia falha: aderem os metalúrgicos da Ford entraram em greve, os estivadores em Santos e alguns setores do funcionalismo (Unesp, prefeituras, etc.), nas periferias do Nordeste e de São Paulo ocorrem expropriações/saques nos supermercados: é a ultrapassagem da ordem burguesa, c) retirar a 27 de maio a palavra de ordem de “greve geral” (que havia sido esboçada por oportunismo no dia 25), em nome da “estabilidade” do regime, o que revela a “esquerda” eleitoral como o maior pilar de defesa do governo Temer, revelando sua submissão ao governo golpista e que o verdadeiro golpeado foi a classe trabalhadora (essa manobra inclusive foi aconselhada por Lula, que dentro da prisão entabulou conversações com interlocutores sindicais e do governo - certamente em troca da sua soltura e candidatura, pois ainda lidera as pesquisas). Para quebrar a ligacão entre petroleiros e caminhoneiros, a “greve” dos petroleiros foi chamada para o dia 30 (véspera de feriado, ou seja: greve sem efeito), na expectativa de que a greve nas estradas morra antes e com tempo definido: somente três dias, para evitar maiores resultados. Enquanto isso, Temer envia as forças armadas às refinarias e ao Porto de Santos, decreta intervenção militar em todo o país e determina que as estradas sejam desbloqueadas, conforme querem os falsos “apoiadores” da greve Bolsonaro e Sérgio Moro, que se opõem a qualquer prejuízo econômico da greve. A “direita” defende diretamente os patrões, a “esquerda” defende Temer, a quem acu sava de golpista, e se levanta contra um golpe militar que interrompa o processo eleitoral de 2018, o mesmo que declarava ilegítimo sem Lula candidato.

A iniciativa da classe trabalhadora decidirá a situação: as ilusões com um golpe militar como solução, esperando inclusive que eles concluam a greve serão desfeitas pelas tropas atacando os piquetes e as barreiras. A segurança pública, bandeira dos fascistas tornou-se obsoleta depois que 3 dias de greve de caminhoneiros interrompeu o fornecimento de drogas, (e a ação dos ladrões de cargas) extinguindo na prática o poder do narcotráfico em várias cidades!! A ação autoorganizada da classe trabalhadora sem outros personagens em cena deverá ser pela greve geral insurrecional, pela sua autodefesa e pelo ataque ao Estado. Formar os comitês independentes de luta, unindo as várias categorias em uma só luta!!!!

PELA REVOLUÇÃO SOCIAL!!!! NEM ELEIÇÕES NEM MILITARES!!! INSUBMISSÃO É A SOLUÇÃO!!!

SABOTARAS LINHAS DE SUPRIIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS!!!! GREVE GERAL!!!!

Iniciativa Revolução Universal, maio de 2018
revolucaouniversal@riseup.net // revolucaouniversal@protonmail.com


GUERRA SOCIAL E REAPARIÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA NO BRASIL
A LUTA DOS CAMINHONEIROS E A REVOLTA SOCIAL!
A sabotagem da economia como evidência

Quatro anos depois da derrota do movimento de protesto/rebelião iniciado em 2013, derrotado por ataques lançados por um governo supostamente de “esquerda”, e pela infiltração patriótico-fascista, parecia que a derrota da classe trabalhadora era definitiva: medidas de miséria foram lançadas pelo mesmo governo, mas custaram sua popularidade, o que foi aproveitado pelos seus adversários políticos, que em seguida o derrubaram num golpe de Estado organizado pelos seus aliados da véspera vinculados com forças regressistas e setores patriótico-fascistas. Os golpistas não só continuaram as medidas de miséria do governo anterior como tornaram-nas ainda mais agudas.

A perda de inciativa da classe trabalhadora tornou-a refém das chantagens ideológicas e da manipulação eleitoreira de burgueses de “direita” (ansiosos por um governo militar ou pelas candidaturas Alckmin /Bolsonaro) e de “esquerda”(querendo a volta de Dilma ou a eleição de Lula). A classe dominante no Brasil, dividida e em conflito consigo mesma desde 2016 colocou o governo do país nas mãos do poder judiciário como mediador entre as quadrilhas (com o STF comandando de fato o Estado). E a classe trabalhadora, incapaz de maiores reações viu piorar tudo o que o capitalismo petista havia iniciado: fortalecimento dos fascistas, judicialização generalizada, novas privatizações, eliminação de opositores, aumento da carestia e do custo de vida, impostos,desemprego e inflação crescendo astronomicamente...enriquecendo o outro extremo da sociedade, concentrando cada vez mais os recursos acumulados através do roubo e da carestia; além do repasse cada vez maior desse roubo às grandes corporações internacionais Algumas ações de protesto ocorreram: onda de ocupações, tomadas das escolas contra o governo, mobilizações universitárias, greves localizadas no funcionalismo, e as três grandes tentativas de greve geral em abril-junho de 2017, todas infiltradas pelos setores burgueses de “esquerda” e desarmadas por eles em nome da participação nas eleições de 2018. A classe trabalhadora ainda é refém das manipulações entre as quadrilhas capitalistas de “direita” e de “esquerda” disputando o controle do Estado brasileiro (judicialmente, midiaticamente, eleitoralmente e também no submundo: a guerra civil do narcotráfico/facções), com apoio de setores do capital internacional. Mas não deixou de afirmar seus interesses contra o avanço da exploração e do terrorismo de Estado, embora sem projeto definido de transformação e sem consciência clara do objetivo: suas ações na prática enfrentam o Estado e os patrões, afirmam a perspectiva da revolução, mas tudo ocorre dentro da visão de mundo, direcionamento e linguagem de seus inimigos, que os setores em combate ainda não questionam. A greve nacional dos caminhoneiros, pela primeira vez em décadas trava a rede produtiva, logística e comercial do país, sendo a primeira revolta social a ter alcance e efeitos sobre todo o território e a economia nacional desde 2013. A crescente solidariedade com o movimento aterroriza os patrões e os governantes!!!! A solidariedade deve ir além das declarações de apoio e dos comitês locais fornecendo comida e recursos aos grevistas. A greve geral insurrecionária está na ordem do dia, todos os setores da classe trabalhadora só terão futuro na medida que também paralisarem suas atividades e acima de tudo, tomarem as ruas, removendo dos protestos os oportunistas e demagogos de “direita” e de “esquerda”. Nem petismo nem golpe militar-fascista - chamado pelos seus defensores de “intervenção”- acabarão com a miséria da classe trabalhadora. A hora é de ofensiva contra o sistema e o Estado!!!!

Tomar posse do próprio destino e traçar o futuro com as próprias mãos!


IMPORTANTE ALERTA PARA A CLASSE TRABALHADORA EM LUTA:

Sindicatos, partidos e políticos NÃO ACABARÃO COM A CARESTIA: os acordos dos sindicatos com Temer não passam de distração para ganhar tempo. Enquanto os sindicatos armam “trégua de 15 dias” para quebrar a greve e anunciam “congelamento” do preço dos combustíveis por alguns dias...as tropas do Exército e os efetivos policiais estão sendo movimentados em todos os estados. Nesse momento basta lembrar os “20 centavos” de 2013: as passagens de ônibus um ano depois voltaram a subir e em dobro, mas o mais importante o governo conseguiu - destruir as manifestações. Está provado historicamente que esses contratos, esses acordos de Judas, não são seguidos:

• A infiltração de prefeitos municipais, vereadores, pré-candidatos e outros demagogos se promovendo às custas do movimento também é outro fator enfraquecendo a greve: estão afastando outros setores da classe trabalhadora, que acham que a greve é deles e não dos caminhoneiros. Seja lá o que prometam não estão em condições de dar o que os(as) trabalhadores(as) precisam: libertar-se dos patrões e dos governantes. Falam bonito, fazem festa e dão brindes aos caminhoneiros, mas não os libertarão das balas da PM e do Exército quando esses vierem para cima dos grevistas, não se interessam em acabar com a roubalheira, vivem dela e só se aproximam da greve pra azer nome entre os caminhoneiros e depois serem eleitos por eles. Os trabalhadores precisam se organizar de modo independente;

• O objetivo do movimento é o mesmo de todas as lutas da classe trabalhadora: viver sem ser depenado(a) pelos parasitas burgueses, incluindo entre esses parasitas os donos das frotas de caminhões e das transportadoras, que forçam os caminhoneiros a cumprir vários fretes, em prejuízo da saúde e da segurança: obrigam-nos a se drogar para dobrar viagens e cumprir os contratos...e agora esses mesmos ladrões dizem “apoiar” a greve, não porque querem vida melhor para os caminhoneiros, mas porque querem financiamento do governo, ou seja, mais dinheiro no cofre. Se a classe trabalhadora quer greve vitoriosa, terá que voltá-la contra eles também, pois assim que o governo os bancar financeiramente, serão os primeiros a forcar o fim da greve, mesmo sem nada de concreto em favor da categoria!!!


NÃO É LOCAUTE... É NOCAUTE!!!!

Setores ligados ao PT estão espalhando uma campanha de difamação do movimento, dizendo ser “greve de patrões” (Locaute), “greve fascista”, apoiando golpe em favor de uma ditadura militar no país. Para piorar as coisas a imprensa tem feito reportagens longas (algumas com mais de 40 minutos), dizendo que pacientes estão morrendo em hospitais e que o desabastecimento causará fome no país por culpa da greve. De um lado e de outro há a tentativa de jogar a classe trabalhadora contra o movimento e impedir o maior medo deles: uma greve geral fora do controle do Estado, dos patrões, dos sindicatos e partidos. Uma vez gue o pais está parado e a economia literalmente foi derrubada no chão, “direita” e “esquerda” mais uma vez agem em conjunto para destruir a greve. Demagogos como Bolsonaro além da direita fascista estão infiltrando o movimento erguendo faixas em favor de golpe militar-fascista e declaram apoiar a greve...desde que ela não feche as estradas, ou seja, desde que não ameace de verdade os interesses de patrões e governantes. Estão sujando o movimento, pois sabem que a classe trabalhadora no fundo não está com eles. A antipatia dos caminhoneiros com o PT e seus aliados se justifica: estão cansados de ouvir falar de “apoio” a Lula e Dilma que por 14 anos esmagaram a classe trabalhadora, impuseram arrocho salarial e perseguição a grevistas, jogaram manifestantes na cadeia, eliminaram trabalhadores rurais e indígenas, além de colocar o exército nas favelas para dar tiro em morador. O desgaste da versão “esquerdista” do capitalismo faz boicotarem a CUT e outras organizações que a vida toda foram inimigas de greve, de organização da classe trabalhadora, de luta social e da negação do Estado. Entretanto, alguns acham que o fascismo é novidade, e que ser de direita é “avançado”, que defender golpe militar vai defende-los dos demagogos e de serem roubados pelos patrões e governantes, esquecem que os generais e demais chefes das Forças Armadas existem para defender a ordem social que nesse exato momento está sendo enfrentada pela greve. As Forças Militares são o braço armado, os capangas dos patrões e governantes -e quando são o próprio governo, não há grupo mais interessado em manter privilégio e explorar trabalhador que os próprios militares. Além de fazer agitação em favor de uma greve geral, da adesão do restante da classe trabalhadora ao movimento (que aos poucos está acontecendo: motoristas de Uber, de ambulâncias, petroleiros, funcionários públicos em algumas cidades, várias categorias estão aderindo à greve nos últimos dias), os grevistas só vencerão se cortarem todas as ligações com os grupos fascistas e com guem faz propaganda de “intervenção militar”. É o próximo passo a ser dado. O que vale para os petistas, vale para os seguidores de Bolsonaro: a “intervenção militar'’ que tanto pedem, será a ação do Exército atacando os caminhoneiros nas estradas.TODA “INTERVENÇÃO MILITAR” É CONTRA A CLASSE TRABALHADORA.


LUTAR É VIVER!!!! PELA SOLIDARIEDADE REVOLUCIONÁRIA DA CLASSE TRABALHADORA ! ! !

GREVE GERAL!!!! LIBERDADE OU MORTE!!!! O FUTURO PERTENCE AO PROLETARIADO!!!!

revolucaouniversal@riseup.net revolucaouniversal@protonmail.com

domingo, 22 de maio de 2016

Sobre os atuais acontecimentos no Brasil - Iniciativa Revolução Universal



Recebemos do grupo Iniciativa Revolução Universal esta interessantíssima análise da situação atual e decidimos publicá-la aqui:

Sobre os atuais acontecimentos no Brasil:

CONTRA A POLARIZAÇÃO ELEITORAL-MIDIÁTICA, CONTRA TODAS AS FACÇÕES DO CAPITALISMO: INTRANSIGENTE LUTA SOCIAL!!!

Como é de conhecimento geral no Brasil e no resto do mundo, desde o mês de março a classe trabalhadora vem sendo bombardeada por uma considerável histeria política. A pressão ideológica atual encurrala e derrota a classe
trabalhadora de lado a lado. De uma parte, o governo socialdemocrata do PT, inimigo eterno dos trabalhadores e do socialismo, que militariza favelas, agride o funcionalismo estatal, encheu prisões de manifestantes em 2013-14, decretou lei antiterrorista contra a contestação social e só nos primeiros meses de 2016 tem na sua conta os assassinatos de 50 trabalhadores rurais/indígenas. É o governo que esmagou a maior revolta operária desde 1978-79, a luta dos trabalhadores nas usinas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte, onde eram escravizados pela OAS/Odebrecht/Camargo Correia, não por acaso, financiadoras do PT e envolvidas nos espantosos escândalos de hoje. É o governo que entre 2003-2005 aprovou ataques aos aposentados e que tamanha sangria causou, com o necessário acompanhamento em corrupção e roubalheira para haver Copa e Olimpíadas. É o partido que passou 20 anos na “oposição” furando greves, entregando revolucionários para a polícia e acertando acordos com empresários, governadores e prefeitos, ou seja, disciplinando, sujeitando, manipulando e oprimindo a classe trabalhadora já na “oposição”, o que foi condição para chegar ao poder.

Da outra parte, os velhos grupos políticos tradicionais, identificados com a “direita” eleitoral e militante, que não esconde suas simpatias pelo fascismo, por ditaduras militares, e nem oculta suas pretensões sanguinárias de uma ordem construída em cima da extorsão, da miséria de milhões de trabalhadores. Sempre alinhada com o PT, inclusive apoiando todas as suas políticas repressivas, governou junto com ele dentro e fora da oposição. “Oposição” bastante confortável nos últimos anos, que aderiu à maioria dos projetos de Lula/Dilma contra a classe trabalhadora (terceirizações, PAC, Copa, Olimpíadas, venda de lotes na Amazônia, militarização, código florestal, etc.); beneficiada com as isenções biliardárias de impostos promovidas pelo PT. Até mesmo os partidos desde o início mais agressivos contra o Lula/Dilma votavam em favor deles todas essas medidas no Congresso, e nos governos estaduais eram apoiados pela participação e/ou cumplicidade do PT nas ações de terror – despejos, massacres policiais, toque de recolher. A maior parte dessa direita, que hoje se passa por “inimiga jurada” do PT era sua aliada até dias atrás. Com o desgaste do PT, sentido na classe trabalhadora pela intensidade da crise iniciada em 2008, que agora chega ao seu nível máximo, com parte dela excluída do poder federal, onde não podia ter acesso direto ao produto do roubo, essa direita que foi o apoio do PT por anos, agora se volta contra ele.

Esse desacerto administrativo entre as duas quadrilhas capitalistas, que nunca tiveram qualquer divergência de programa, de objetivos, menos ainda sobre o modelo de sociedade que defendem; essa competição eleitoral desde o fim de 2014 tem ameaçado gravemente a classe trabalhadora.  É necessário destacar de modo inegável, claro para todos que essa manobra de manipulação, que marca a transição de uma gerência do Estado para outra, que toda essa pressão ideológica é fruto da derrota dos trabalhadores na guerra social que ocorreu em 2013-2014. Pela sua própria finalidade e ações desenvolvidas, a dualidade PT/direita promoveu, sobretudo na ação combinada contra a revolta de 2013, o apaziguamento da classe trabalhadora e o empoderamento da direita. A política de apaziguamento foi violentamente conduzida por aparatos que infiltraram as lutas sociais e destruíram-nas (MPL em 2013, MTST antes da Copa), tudo isso acompanhado do terrorismo de estado (PT e governadores matando e prendendo manifestantes) e da abertura das manifestações à direita patriótico-fascista, desculpa perfeita para a defesa do governo Dilma contra o “perigo de direita” e oportunidade perfeita para uma força regressista de “oposição” absorver e aliciar todos os descontentes. Diferentes de forças inimigas entre si que lutam até a eliminação da rival, trata-se de uma disputa regrada e dentro da ordem burguesa. Os dois grupos se sustentam e vigiam a ordem social, agindo em conjunto para impedir o surgimento de uma verdadeira alternativa – que só pode ser revolucionária -, chegando a apelar de tal modo no cumprimento dessa missão, para uma aparente guerra cotidiana. 

Todo esse panorama coincide com as manobras do imperialismo internacional: o capital europeu (França, Alemanha e Rússia, integrante dos BRICS) que se sente ameaçado por uma guinada à direita advoga o governo Dilma. O capital inglês e norte-americano apoia abertamente as ações da direita brasileira, chegando a financiar organizações reacionárias que estão assumindo a chefia dos protestos e que por isso mesmo, recusam mostrar publicamente as fontes dos seus recursos (George Soros e Irmãos Koch fazem doações milionárias a grupos como MBL – Movimento Brasil Livre - , Revoltados Online, MCC, Estudantes pela Liberdade, Atlas, entre outros). Também a marca de classes sociais disputando o momento está óbvia: a burguesia estatal (daí as denúncias de corrupção priorizarem diretores das estatais), associada a alguns grupos empresariais nacionais estão por trás do PT (que tem sua infantaria nos sindicalizados e em setores da classe trabalhadora assistidos pelo estado), enquanto os latifundiários (burguesia agrária), a Federação dos Industriais (burguesia industrial)e a burguesia comercial (AMBEV, redes lojistas) estão com a direita/extrema-direita. Esses recrutam como tropa de choque a pequena burguesia (profissionais liberais, pequenos comerciantes, altos e médios funcionários de carreira do Estado, empresários falidos), socialmente retrógrada e historicamente sem futuro, para ser a cara pública dos protestos. Essa pequena burguesia tem arrastado atrás de si com apoio da mídia, os setores mais atrasados da classe trabalhadora, que realmente querem transformação e se rebelaram contra o PT. Mas pela incapacidade de se organizarem e inclusive de exercer autonomia contra as ideologias e organizações da direita/extrema-direita, viraram presa fácil da direita militante. Além de servirem como “garotos propaganda” desses grupos que agora podem contar com a desculpa de terem “trabalhadores” em suas fileiras.

O capital bancário-financeiro, que tem a palavra final, que num piscar de olhos faz e derruba qualquer presidente, passou o mês de março oscilando e vacilando sobre quem apoiar. E não poderia ser de outra forma, já que sempre foram bem recompensados por Lula e Dilma, chegando a anos seguidos de lucros estratosféricos (os maiores do mundo), com a política de juros do governo. Com a suspeita de que o vice-presidente Michel Temer possa incluir um representante da Federação dos Bancos em seu governo, ou o testa de ferro de George Soros no Brasil, Armínio Fraga (chefe do Banco Central no governo FHC), o processo contra Dilma se acelerou em menos de 3 dias, o que já indica que finalmente se definiram por um dos lados. A saída do PT de possível passou a inevitável.

Percebida a desmobilização dos trabalhadores com a derrota das lutas de 2013-2014, a burguesia impôs a falsa escolha entre duas lealdades políticas que além de alienar os trabalhadores, que perderam o protagonismo das ruas, semeiam a divisão entre eles. Primeiro alienados quando torcem por juízes e promotores, representantes maiores da repressão estatal e do judiciário venal, ou ao aceitarem o papel de heróis dado a apresentadores sensacionalistas de TV e a velhos corruptos/mercenários da política. E depois, ao se inclinarem bovinamente pela saída de Dilma “contra a corrupção” ou por sua permanência, “contra o fascismo”. Foi quando a mídia – acompanhada pela “esquerda” do capital - inventou a lenda da “polarização social” entre os defensores da corrupção e os do fascismo, como se essa fosse uma luta de classes. Batendo 24 horas na tecla da disputa petismo/antipetismo, a burguesia quer que todos esqueçam a verdadeira polarização: TRABALHADORES CONTRA PATRÕES, COMUNISMO/ANARQUIA CONTRA O ESTADO/CAPITALISMO e aceitem a concorrência teatral entre os irmãos capitalistas direita/PT. O clima de campanha eleitoral permanente impôs a ditadura do pensamento único, com a proibição de se pensar ou agir fora da dualidade direita-PT,o que em todos os níveis favorece o controle social.

A divisão entre os trabalhadores e ESSE É O ASPECTO MAIS GRAVE, corre por conta da politização da vida privada: conforme a preferência de alguém, real ou atribuída, a favor ou contra o governo, relações pessoais são destruídas, parentes e vizinhos não se falam mais, uma tempestade de ódio e denúncias se propaga nos meios virtuais e nos locais de trabalho e estudo. Linchamentos e ataques físicos também estão ocorrendo.É um ambiente de tipo venezuelano, onde se impõe cada vez mais no cotidiano a falsa escolha entre ser elitista de direita ou populista pró-governo, com conspiracionismo e paranoia de ambas as partes. A polícia do pensamento e o patrulhamento ideológico, tão úteis ao Estado no fascismo e na democracia, mostram sua serventia. O totalitarismo eleitoral conseguiu alcançar ramos da vida cotidiana que pareciam estar à salvo.

Os capitalistas no Brasil e no exterior temem um novo 2013: medidas econômicas draconianas já estão programadas (carestia, desemprego, ataque às aposentadorias), para que se aceite contratos cada vez mais leoninos e condições ainda piores de sobrevivência. E com as lutas atuais em andamento (escolas ocupadas em Goiás e no Rio, fábricas sendo ocupadas em São Paulo, manifestações rurais/indígenas), o capitalismo faz a dupla exigência de rapidez na imposição das medidas e de um governo forte que possa impô-las. Para esse fim servem tanto a permanência de um governo compartilhado Dilma/Lula ou a chegada da direita mais cleptocrática ao poder através de expedientes golpistas. As duas facções medem forças entre si para ver quem tem mais força e agrega mais consenso (maior poder de mistificação) contra os trabalhadores.

Frente a isso, é necessário à classe trabalhadora autonomia contra a falsa polarização social, sustentando e unindo suas lutas em andamento, organizando-se de forma independente contra grupos anticorrupção e antifascistas, recusando em conjunto a adesão tanto à direita quanto à frente unida que o PT está ditando contra o fascismo. A dupla chantagem do medo do “caos econômico” versus medo do golpe fascista deve ser enfrentada com decisão e radicalidade.

Dentro de pouco tempo o Estado brasileiro estará decidindo, votando e aprovando o fim do governo Dilma. A classe trabalhadora deve boicotar os protestos de ambas as partes e intensificar as lutas sociais contra ambas. O PT se prepara para voltar à “oposição”, onde depois de um governo golpista e de violentas medidas de miséria, poderá voltar ao poder em condições ainda melhores que as atuais em 2018. Sim, a direita já está fazendo a campanha para Lula agora e nesse sentido é sua colaboradora. A direita comemora por antecipação o fim do período do PT no governo e com isso, poderá ter melhores condições para exercer sua própria corrupção e sangrar a população trabalhadora. O preço da “anticorrupção” e do “antifascismo” está sendo pago: é a miséria de quem viver e a perseguição, a morte de quem discordar. Entre variedades de escravidão não há escolha, é preciso lutar.

A VERDADEIRA ESCOLHA NÃO É ENTRE PT E ANTI-PT É ENTRE REVOLUÇÃO E CONTRA-REVOLUÇÃO !!!
CONTRA GOVERNO E OPOSIÇÃO: INTENSIFICAR A LUTA SOCIAL!!!

16 de abril de 2016

Iniciativa Revolução Universal [emails para contato: revolucaouniversal@riseup.net  revolucaouniversal@protonmail.com  revolucao_universal@riseup.net ou revuniv@protonmail.com]



Outro texto analisando a situação atual:


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