domingo, 22 de maio de 2016

Sobre os atuais acontecimentos no Brasil - Iniciativa Revolução Universal



Recebemos do grupo Iniciativa Revolução Universal esta interessantíssima análise da situação atual e decidimos publicá-la aqui:

Sobre os atuais acontecimentos no Brasil:

CONTRA A POLARIZAÇÃO ELEITORAL-MIDIÁTICA, CONTRA TODAS AS FACÇÕES DO CAPITALISMO: INTRANSIGENTE LUTA SOCIAL!!!

Como é de conhecimento geral no Brasil e no resto do mundo, desde o mês de março a classe trabalhadora vem sendo bombardeada por uma considerável histeria política. A pressão ideológica atual encurrala e derrota a classe
trabalhadora de lado a lado. De uma parte, o governo socialdemocrata do PT, inimigo eterno dos trabalhadores e do socialismo, que militariza favelas, agride o funcionalismo estatal, encheu prisões de manifestantes em 2013-14, decretou lei antiterrorista contra a contestação social e só nos primeiros meses de 2016 tem na sua conta os assassinatos de 50 trabalhadores rurais/indígenas. É o governo que esmagou a maior revolta operária desde 1978-79, a luta dos trabalhadores nas usinas de Jirau, Santo Antônio e Belo Monte, onde eram escravizados pela OAS/Odebrecht/Camargo Correia, não por acaso, financiadoras do PT e envolvidas nos espantosos escândalos de hoje. É o governo que entre 2003-2005 aprovou ataques aos aposentados e que tamanha sangria causou, com o necessário acompanhamento em corrupção e roubalheira para haver Copa e Olimpíadas. É o partido que passou 20 anos na “oposição” furando greves, entregando revolucionários para a polícia e acertando acordos com empresários, governadores e prefeitos, ou seja, disciplinando, sujeitando, manipulando e oprimindo a classe trabalhadora já na “oposição”, o que foi condição para chegar ao poder.

Da outra parte, os velhos grupos políticos tradicionais, identificados com a “direita” eleitoral e militante, que não esconde suas simpatias pelo fascismo, por ditaduras militares, e nem oculta suas pretensões sanguinárias de uma ordem construída em cima da extorsão, da miséria de milhões de trabalhadores. Sempre alinhada com o PT, inclusive apoiando todas as suas políticas repressivas, governou junto com ele dentro e fora da oposição. “Oposição” bastante confortável nos últimos anos, que aderiu à maioria dos projetos de Lula/Dilma contra a classe trabalhadora (terceirizações, PAC, Copa, Olimpíadas, venda de lotes na Amazônia, militarização, código florestal, etc.); beneficiada com as isenções biliardárias de impostos promovidas pelo PT. Até mesmo os partidos desde o início mais agressivos contra o Lula/Dilma votavam em favor deles todas essas medidas no Congresso, e nos governos estaduais eram apoiados pela participação e/ou cumplicidade do PT nas ações de terror – despejos, massacres policiais, toque de recolher. A maior parte dessa direita, que hoje se passa por “inimiga jurada” do PT era sua aliada até dias atrás. Com o desgaste do PT, sentido na classe trabalhadora pela intensidade da crise iniciada em 2008, que agora chega ao seu nível máximo, com parte dela excluída do poder federal, onde não podia ter acesso direto ao produto do roubo, essa direita que foi o apoio do PT por anos, agora se volta contra ele.

Esse desacerto administrativo entre as duas quadrilhas capitalistas, que nunca tiveram qualquer divergência de programa, de objetivos, menos ainda sobre o modelo de sociedade que defendem; essa competição eleitoral desde o fim de 2014 tem ameaçado gravemente a classe trabalhadora.  É necessário destacar de modo inegável, claro para todos que essa manobra de manipulação, que marca a transição de uma gerência do Estado para outra, que toda essa pressão ideológica é fruto da derrota dos trabalhadores na guerra social que ocorreu em 2013-2014. Pela sua própria finalidade e ações desenvolvidas, a dualidade PT/direita promoveu, sobretudo na ação combinada contra a revolta de 2013, o apaziguamento da classe trabalhadora e o empoderamento da direita. A política de apaziguamento foi violentamente conduzida por aparatos que infiltraram as lutas sociais e destruíram-nas (MPL em 2013, MTST antes da Copa), tudo isso acompanhado do terrorismo de estado (PT e governadores matando e prendendo manifestantes) e da abertura das manifestações à direita patriótico-fascista, desculpa perfeita para a defesa do governo Dilma contra o “perigo de direita” e oportunidade perfeita para uma força regressista de “oposição” absorver e aliciar todos os descontentes. Diferentes de forças inimigas entre si que lutam até a eliminação da rival, trata-se de uma disputa regrada e dentro da ordem burguesa. Os dois grupos se sustentam e vigiam a ordem social, agindo em conjunto para impedir o surgimento de uma verdadeira alternativa – que só pode ser revolucionária -, chegando a apelar de tal modo no cumprimento dessa missão, para uma aparente guerra cotidiana. 

Todo esse panorama coincide com as manobras do imperialismo internacional: o capital europeu (França, Alemanha e Rússia, integrante dos BRICS) que se sente ameaçado por uma guinada à direita advoga o governo Dilma. O capital inglês e norte-americano apoia abertamente as ações da direita brasileira, chegando a financiar organizações reacionárias que estão assumindo a chefia dos protestos e que por isso mesmo, recusam mostrar publicamente as fontes dos seus recursos (George Soros e Irmãos Koch fazem doações milionárias a grupos como MBL – Movimento Brasil Livre - , Revoltados Online, MCC, Estudantes pela Liberdade, Atlas, entre outros). Também a marca de classes sociais disputando o momento está óbvia: a burguesia estatal (daí as denúncias de corrupção priorizarem diretores das estatais), associada a alguns grupos empresariais nacionais estão por trás do PT (que tem sua infantaria nos sindicalizados e em setores da classe trabalhadora assistidos pelo estado), enquanto os latifundiários (burguesia agrária), a Federação dos Industriais (burguesia industrial)e a burguesia comercial (AMBEV, redes lojistas) estão com a direita/extrema-direita. Esses recrutam como tropa de choque a pequena burguesia (profissionais liberais, pequenos comerciantes, altos e médios funcionários de carreira do Estado, empresários falidos), socialmente retrógrada e historicamente sem futuro, para ser a cara pública dos protestos. Essa pequena burguesia tem arrastado atrás de si com apoio da mídia, os setores mais atrasados da classe trabalhadora, que realmente querem transformação e se rebelaram contra o PT. Mas pela incapacidade de se organizarem e inclusive de exercer autonomia contra as ideologias e organizações da direita/extrema-direita, viraram presa fácil da direita militante. Além de servirem como “garotos propaganda” desses grupos que agora podem contar com a desculpa de terem “trabalhadores” em suas fileiras.

O capital bancário-financeiro, que tem a palavra final, que num piscar de olhos faz e derruba qualquer presidente, passou o mês de março oscilando e vacilando sobre quem apoiar. E não poderia ser de outra forma, já que sempre foram bem recompensados por Lula e Dilma, chegando a anos seguidos de lucros estratosféricos (os maiores do mundo), com a política de juros do governo. Com a suspeita de que o vice-presidente Michel Temer possa incluir um representante da Federação dos Bancos em seu governo, ou o testa de ferro de George Soros no Brasil, Armínio Fraga (chefe do Banco Central no governo FHC), o processo contra Dilma se acelerou em menos de 3 dias, o que já indica que finalmente se definiram por um dos lados. A saída do PT de possível passou a inevitável.

Percebida a desmobilização dos trabalhadores com a derrota das lutas de 2013-2014, a burguesia impôs a falsa escolha entre duas lealdades políticas que além de alienar os trabalhadores, que perderam o protagonismo das ruas, semeiam a divisão entre eles. Primeiro alienados quando torcem por juízes e promotores, representantes maiores da repressão estatal e do judiciário venal, ou ao aceitarem o papel de heróis dado a apresentadores sensacionalistas de TV e a velhos corruptos/mercenários da política. E depois, ao se inclinarem bovinamente pela saída de Dilma “contra a corrupção” ou por sua permanência, “contra o fascismo”. Foi quando a mídia – acompanhada pela “esquerda” do capital - inventou a lenda da “polarização social” entre os defensores da corrupção e os do fascismo, como se essa fosse uma luta de classes. Batendo 24 horas na tecla da disputa petismo/antipetismo, a burguesia quer que todos esqueçam a verdadeira polarização: TRABALHADORES CONTRA PATRÕES, COMUNISMO/ANARQUIA CONTRA O ESTADO/CAPITALISMO e aceitem a concorrência teatral entre os irmãos capitalistas direita/PT. O clima de campanha eleitoral permanente impôs a ditadura do pensamento único, com a proibição de se pensar ou agir fora da dualidade direita-PT,o que em todos os níveis favorece o controle social.

A divisão entre os trabalhadores e ESSE É O ASPECTO MAIS GRAVE, corre por conta da politização da vida privada: conforme a preferência de alguém, real ou atribuída, a favor ou contra o governo, relações pessoais são destruídas, parentes e vizinhos não se falam mais, uma tempestade de ódio e denúncias se propaga nos meios virtuais e nos locais de trabalho e estudo. Linchamentos e ataques físicos também estão ocorrendo.É um ambiente de tipo venezuelano, onde se impõe cada vez mais no cotidiano a falsa escolha entre ser elitista de direita ou populista pró-governo, com conspiracionismo e paranoia de ambas as partes. A polícia do pensamento e o patrulhamento ideológico, tão úteis ao Estado no fascismo e na democracia, mostram sua serventia. O totalitarismo eleitoral conseguiu alcançar ramos da vida cotidiana que pareciam estar à salvo.

Os capitalistas no Brasil e no exterior temem um novo 2013: medidas econômicas draconianas já estão programadas (carestia, desemprego, ataque às aposentadorias), para que se aceite contratos cada vez mais leoninos e condições ainda piores de sobrevivência. E com as lutas atuais em andamento (escolas ocupadas em Goiás e no Rio, fábricas sendo ocupadas em São Paulo, manifestações rurais/indígenas), o capitalismo faz a dupla exigência de rapidez na imposição das medidas e de um governo forte que possa impô-las. Para esse fim servem tanto a permanência de um governo compartilhado Dilma/Lula ou a chegada da direita mais cleptocrática ao poder através de expedientes golpistas. As duas facções medem forças entre si para ver quem tem mais força e agrega mais consenso (maior poder de mistificação) contra os trabalhadores.

Frente a isso, é necessário à classe trabalhadora autonomia contra a falsa polarização social, sustentando e unindo suas lutas em andamento, organizando-se de forma independente contra grupos anticorrupção e antifascistas, recusando em conjunto a adesão tanto à direita quanto à frente unida que o PT está ditando contra o fascismo. A dupla chantagem do medo do “caos econômico” versus medo do golpe fascista deve ser enfrentada com decisão e radicalidade.

Dentro de pouco tempo o Estado brasileiro estará decidindo, votando e aprovando o fim do governo Dilma. A classe trabalhadora deve boicotar os protestos de ambas as partes e intensificar as lutas sociais contra ambas. O PT se prepara para voltar à “oposição”, onde depois de um governo golpista e de violentas medidas de miséria, poderá voltar ao poder em condições ainda melhores que as atuais em 2018. Sim, a direita já está fazendo a campanha para Lula agora e nesse sentido é sua colaboradora. A direita comemora por antecipação o fim do período do PT no governo e com isso, poderá ter melhores condições para exercer sua própria corrupção e sangrar a população trabalhadora. O preço da “anticorrupção” e do “antifascismo” está sendo pago: é a miséria de quem viver e a perseguição, a morte de quem discordar. Entre variedades de escravidão não há escolha, é preciso lutar.

A VERDADEIRA ESCOLHA NÃO É ENTRE PT E ANTI-PT É ENTRE REVOLUÇÃO E CONTRA-REVOLUÇÃO !!!
CONTRA GOVERNO E OPOSIÇÃO: INTENSIFICAR A LUTA SOCIAL!!!

16 de abril de 2016

Iniciativa Revolução Universal [emails para contato: revolucaouniversal@riseup.net  revolucaouniversal@protonmail.com  revolucao_universal@riseup.net ou revuniv@protonmail.com]



Outro texto analisando a situação atual:


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Escolas ocupadas: difusão das lutas ou propriedade privada?


Enquanto não se expande além dos limites pré-estabelecidos (escolas, empresas, países, bairros, família etc), enquanto não dissolve esses limites, se a autogestão "tiver sucesso", ela apenas implica  o aumento do "trabalho não pago", gerando ainda mais mais-valia para o capital. Por exemplo, se a autogestão das escolas for estabelecida, formando autogestionariamente a mercadoria força de trabalho com um imenso trabalho voluntário "autônomo", isso seria o sonho dos governos e dos capitalistas, pois com isso eles não mais precisam  pagar esses "custos", ao mesmo tempo em que essa "experiência autônoma" força todos os demais proletários do resto do sistema educacional a trabalhar ainda mais "voluntariamente", de graça, para os empresários estatais e particulares, para não serem demitidos frente a essa nova intensificação da competição. 

Um movimento realmente autônomo só pode vencer se se expande rapidamente de modo universal, mundial. Caso contrário, é forçado a trocar com o resto da sociedade que ainda se mantém como propriedade privada (empresas, países, bairros, famílias etc), e, para trocar, é forçado a trabalhar para a propriedade privada, gerando mais-valia e reproduzindo o capital numa escala ainda maior.

A medida que  a luta autônoma nas escolas não se generaliza para fora delas, ou seja, enquanto não consegue impulsionar uma transformação que se espalha rapidamente, transformação em que, por exemplo, os trabalhadores suspendem a produção para a empresa, abolindo o emprego e tornando a produção livre por quem quiser e para quem quiser satisfazer suas necessidades, paixões, desejos etc, em que os papeis de "trabalhador" e "estudante" são abolidos por uma livre associação de indivíduos que se afirmam como classe autônoma sem fronteiras contra a classe dominante por toda parte,  enquanto isso não ocorre, a luta  dos estudantes é condenada ao fracasso, condenada materialmente a se relacionar com o resto da sociedade que não se transformou, e daí a reproduzir a mesma dominação de todo o resto da sociedade. 

humanaesfera, maio de 2016

domingo, 1 de maio de 2016

Anarquia e Comunismo (1880) – Carlo Cafiero


Traduzimos Anarquia e Comunismo, outro grande clássico comunista libertário, escrito por Carlo Cafiero, autor também de um famoso compêndio de O Capital - Crítica da Economia Política, de Marx. Abaixo, alguns trechos da tradução:



"O comunismo é a tomada de posse, em nome de toda humanidade, de toda riqueza existente no mundo. O comunismo será o gozo de toda riqueza existente por todos os homens e segundo o princípio: de cada um segundo suas faculdades, para cada um segundo suas necessidades, quer dizer: de cada um e para cada um de acordo com sua vontade.
[...] nós queremos que toda a riqueza existente seja tomada diretamente pelo próprio povo, que ela seja mantida por suas mãos possantes, e que ele próprio decida a melhor maneira de gozá-la, seja pela produção, seja pelo consumo.
Mas nos perguntam: o comunismo é praticável? Teremos produtos suficientes para possibilitar à cada um o direito de usá-los à vontade, sem exigir dos indivíduos mais trabalho do que eles gostariam de fazer?
E respondemos: sim. Certamente será possível aplicar esse princípio: de cada um e à cada um conforme sua vontade, porque, na sociedade futura, a produção será tão abundante que não haverá qualquer necessidade de limitar o consumo, nem de exigir dos homens mais trabalho do que eles podem ou querem fazer."
"[...] é preciso ter em conta a imensa economia que será feita dos três elementos do trabalho: a força de trabalho, os instrumentos e as matérias primas, que são terrivelmente desperdiçados hoje, porque são empregados na produção de coisas absolutamente inúteis, sem falar das que são nocivas à humanidade."
"A concorrência, a luta, é um dos princípios fundamentais da produção capitalista, que tem por lema: mors tua vita mea, tua morte é minha vida. A ruína de um faz a fortuna de outro. E essa luta encarniçada se dá de país contra país, de região contra região, de indivíduo contra indivíduo, entre trabalhadores assim como entre capitalistas. É uma guerra mortal, um combate sob todas as formas: corpo à corpo, bandos, esquadrões, regimentos, exércitos. Um operário encontra trabalho onde outro o perde; uma ou várias indústrias prosperam enquanto outras perecem.
Pois bem, imagine quando, na sociedade futura, esse princípio individualista da produção capitalista, cada um por si e contra todos e todos contra cada um, for substituído pelo verdadeiro princípio da sociabilidade humana: cada um por todos e todos por cada um. Que imensa mudança obteríamos nos resultados da produção! Imagine o aumento da produção quando cada homem, ao invés de ter que lutar contra todos os outros, for apoiado por eles, que serão tratados não como inimigos, mas como cooperadores. Se o trabalho coletivo de dez homens alcança resultados absolutamente impossíveis para um homem isolado, quão grandes serão os resultados obtidos pela imensa cooperação de todos os homens que, hoje, trabalham hostilmente uns contra os outros? [...]"
"E é graças a essa abundância que o trabalho perderá o caráter servil para ter somente o atrativo de uma necessidade moral e física, tal como a de estudar, de viver com a natureza."
"Desse modo, nós podemos afirmar que o comunismo não só é possível, mas necessário. Não só podemos ser comunistas, mas é preciso que sejamos sob pena de perder o objetivo da revolução.
Com efeito, depois de pôr em comum os instrumentos de trabalho e as matérias primas, caso conservemos a apropriação individual dos produtos do trabalho, seríamos forçados a conservar a moeda e, portanto, uma acumulação maior ou menor de riqueza segundo um maior ou menor mérito - ou melhor, habilidade - dos indivíduos. A igualdade assim desapareceria, pois aqueles que conseguirem adquirir mais riquezas seriam por isso mesmo elevados acima do nível dos outros. [...].
Mas a atribuição individual dos produtos restabeleceria não só a desigualdade entre os homens, ela restabeleceria ainda a desigualdade entre os diferentes tipos de trabalho. Veríamos reaparecer imediatamente o trabalho “limpo” e o trabalho “sujo”, o trabalho “superior” e o trabalho “inferior”: o primeiro seria feito pelos mais ricos, e o segundo seria destinado aos mais pobres. Então, não seria mais a vocação e o gosto pessoal que determinariam alguém a se dedicar a um tipo de atividade ao invés de outro: seria o interesse, a esperança de ter vantagens em tal profissão. Assim, renasceriam a indolência e a diligência, o mérito e o demérito, o bem e o mal, o vício e a virtude e, por consequência, de um lado a recompensa e de outro a punição - a lei, o juiz, a polícia e a prisão.
Há socialistas que persistem em defender a ideia de atribuição individual dos produtos do trabalho alegando valorizar o sentimento de justiça.
Que estranha ilusão! Com o trabalho coletivo, que nos coloca a necessidade de produzir em massa e aplicar máquinas em grande escala, e com o sempre crescente fato de o trabalho moderno se basear no trabalho acumulado das gerações passadas, como poderíamos distinguir qual a parte do produto que cabe à uma pessoa da parte que cabe à outra pessoa? É absolutamente impossível, e nossos adversários reconhecem isso tão bem que eles terminam dizendo: “Tudo bem, nós tomaremos como base para a repartição as horas de trabalho”; mas, ao mesmo tempo, eles próprios admitem que isso seria injusto, porque três horas de trabalho de Pedro podem valer cinco horas de trabalho de Paulo."
"Não se pode ser anarquista sem ser comunista. De fato, a mínima ideia de limitação já contém em si os germes do autoritarismo. Ela não pode se manifestar sem engendrar imediatamente a lei, o juiz, a polícia."

domingo, 24 de abril de 2016

Sobre a troca (1858) - Joseph Déjacque

Traduzimos Sobre a troca, um clássico comunista libertário, escrito por Joseph Déjacque, o criador da própria palavra "libertário" (palavra que sempre foi sinônimo de comunista anarquista até que a classe proprietária - milionários e burocratas particulares e estatais -, começou a tentar roubá-la para nos impor a crendice absurda de que "liberdade" é a tirania totalitária chamada empresa e mercado)

Alguns trechos:

"[...] Na comunidade anárquica, [...] cada um é livre para produzir e consumir à vontade e segundo suas fantasias sem controlar nem ser controlado por ninguém, e o equilíbrio entre a produção e o consumo se estabelece naturalmente, não mais pela detenção preventiva e arbitrária por uns ou por outros, mas pela livre circulação das capacidades e das necessidades de cada um. Os fluxos humanos não necessitam de diques; deixemos as marés passarem livres: a cada dia, elas reencontram o seu nível!"


"Primeiramente, em princípio, o trabalhador tem direito ao produto de seu trabalho?[...]


Por exemplo, suponha que há um alfaiate, ou um sapateiro. Ele produz muitas roupas e muitos pares de sapato. Ele não pode consumi-los todos de uma vez. Talvez, além disso, não sejam do seu tamanho e nem conformes a seu gosto. Evidentemente, ele só os fez porque é sua profissão fazê-los, e em vistas de trocar por outros produtos de que ele sente a necessidade; e assim é com todos os trabalhadores. As roupas e sapatos que ele produz não são posses dele, porque para ele não tem nenhum uso pessoal;mas são uma propriedade, um valor que ele monopoliza e que ele dispõe conforme seus caprichos, que ele pode à rigor destruir se lhe apraz, que ele pode no mínimo usar e abusar se assim quiser; seja como for, é uma arma para atacar a propriedade dos outros, nessa luta de interesses divididos e antagônicos, onde cada um é entregue a todas as sortes e azares da guerra. 

Além disso, esse trabalhador, em termos de direito e justiça, é bem justificado para se declarar o único produtor do trabalho feito por suas mãos?  Ele criou algo do nada? Ele é onipotente? Ele possui o conhecimento manual e intelectual de toda a eternidade? Sua arte e profissão lhe é inata? Operário, ele saiu totalmente equipado do ventre de sua mãe? É unicamente filho de suas obras? Ele não é em parte obra de seus predecessores e obra de seus contemporâneos? Todos aqueles que lhe mostraram como manusear a agulha e a tesoura, a faca e o furador, que o iniciaram de aprendizagem em aprendizagem até o grau de habilidade que alcançou, todos eles não tem algum direito à uma parte de seu produto? As sucessivas inovações das gerações anteriores também não tiveram parte nessa produção que ele fez? Ele não deve nada à geração atual? Ele não deve nada à geração futura? É justo que ele acumule então em suas mãos os títulos de todos esses trabalhos acumulados e se aproprie exclusivamente dos benefícios?"

"Se se admite o princípio da propriedade do produto pelo trabalhador [...], conforme um certo produto seja mais ou menos procurado, um certo produtor será mais ou menos lesado, mais ou menos beneficiado. A propriedade de um não pode aumentar senão em detrimento da propriedade de outro - a propriedade necessita de exploradores e explorados. Com a propriedade do produto do trabalho, a propriedade democratizada, isso não será mais a exploração da maioria pela minoria, como é com a propriedade do trabalho pelo capital, a propriedade monarquizada; mas ainda assim será exploração da minoria pela maioria. Será sempre a iniquidade, a divisão dos interesses, a concorrência inimiga, com desastres para uns e sucessos para outros. [...]"

"[...] No dia em que se compreender que o organismo social deve ser transformado não sobrecarregando com complicações, mas o simplificando; no dia em que não se buscar mais demolir uma coisa para a substituir por outra similar, renomeando e multiplicando, nesse dia ter-se-á destruído da base ao topo o velho mecanismo autoritário e proprietário, e ter-se-á reconhecido a insuficiência e a nocividade tanto do contrato individual quanto do contrato social. Então o governo natural e a troca natural – o governo natural, isto é, o governo do indivíduo pelo indivíduo, de si mesmo por si mesmo, o individualismo universal, o si-humano [moi-humain] se movendo livremente no todo-humanidade [tout-humanité]; e a troca natural, quer dizer, o indivíduo trocando de si mesmo consigo mesmo, sendo ao mesmo tempo produtor e consumidor, co-operário e co-herdeiro do capital social, a liberdade humana, a liberdade infinitamente divisível na comunidade dos bens, na indivisível propriedade – então, vos digo, o governo natural, a troca natural, organismo movido pela atração e pela solidariedade, se elevarão majestosos e benéficos no coração da humanidade regenerada. Então, o governo autoritário e proprietário, a troca autoritária e proprietária, maquinação sobrecarregada de intermediários e de signos representativos cairá solitária e abandonada no leito seco da antiga arbitrariedade."

Link para o texto completo:  
Sobre a troca (1858) - Joseph Déjacque 




Outros clássicos que traduzimos:


terça-feira, 19 de abril de 2016

O crepúsculo das personificações (1972) - Fredy Perlman


O Flautista de Hamelin traduziu e nós fizemos a revisão para publicação  desse grande texto de Fredy Perlman: 

O crepúsculo das personificações


Alguns trechos:
"Os produtores criam uma tecnologia industrial que elimina a necessidade material do trabalho forçado enquanto reproduzem as condições sociais do trabalho forçado. As forças produtivas que eliminam as condições materiais de escassez tornam-se instrumentos sociais para a manutenção de escassez. A pobreza deixa de ser uma função da natureza e torna-se uma função das relações sociais."

"O paradoxo consiste no fato de que, tão logo os indivíduos abdicam de seus poderes autônomos [self-powers] para personificações destes poderes, os indivíduos se tornam vítimas das personificações; eles se tornam instrumentos, ou meios, pelos quais os poderes da personificação são executados. Assim é possível para os mesmos indivíduos envenenar o ar durante o dia e respirar o ar envenenado ao descansar a noite, uma vez que não são estes indivíduos que envenenam o ar - é a General Motors. Assim é possível para os mesmos indivíduos produzir armas em tempos de paz e massacrar uns aos outros com as armas em tempos de guerra, uma vez que não são esses indivíduos que produzem as armas ou combatem nas guerras; as armas são produzidas pela General Dynamics e a guerra é combatida pelo General Eisenhower, o Marechal de Campo Rommel e o Marechal Stalin."

"Uma vez que as forças produtivas da sociedade são alienadas dos produtores, apropriadas por outra classe, e representadas por “pessoas” que ocupam as funções [offices] para as quais o poder é delegado, parece aos produtores que são, não os produtores, mas as personificações que produzem. Isso é uma aparência, uma alucinação, mas é difícil para alguém ver além das alucinações de sua própria época quando se nasce nela. Em uma época anterior, quando foi dito que a França conquistou a Borgonha em um campo, o evento real foi o encontro militar entre dois exércitos recrutados entre as populações da França e da Borgonha, mas essa afirmação descrevia o encontro entre dois indivíduos, a personificação da França e a personificação da Borgonha. Em outras palavras, parece que as capacidades, os poderes, não estão nos indivíduos que o possuem, mas nas personificações.

Essa alucinação não poderia surgir se o poder atribuído à personificação se apoiasse na força bruta ou coerção. Se o poder da personificação consistisse na força bruta, no caso da conquista pela França da Borgonha, a história desse período antigo seria estupenda, pois de forma a conquistar o Duque, o Rei deveria primeiro ter conquistado a França – um único indivíduo contra uma multidão de camponeses. Se este fosse o caso, a conquista dos camponeses pelo Rei seria tão mais espetacular que a conquista do Duque que este último evento não seria sequer registrado na história.

Mas nesse caso o Rei deveria ter sido descrito em termos de seus próprios poderes autônomos [self-powers], não importa quão grande estes fossem, e não como uma personificação, como um Rei, como França.

O poder da personificação reside precisamente nessa alucinação, e não no indivíduo que ocupa a função [office]. Certas palavras pronunciadas por um indivíduo específico não são uma declaração política ou declaração de guerra a menos que o indivíduo seja visto como a autoridade que tenha o direito de ditar uma política ou declarar guerra; as palavras do indivíduo não podem ter conseqüências a menos que outros seres humanos se submetam a essa autoridade e considerem seu dever obedecer. A personificação é apta a deter o poder delegado a uma função específica apenas quando a legitimidade da função é aceita. A legitimidade não é uma propriedade possuída pela função ou por um ocupante específico da função. A legitimidade é uma propriedade conferida à função e à sua pessoa por todos os outros indivíduos."

"[...] A violência acompanha o poder exercido por uma personificação, mas não torna essa personificação legítima. A função e sua pessoa tornam-se legítimas apenas quando a autoridade da função e de seus ocupantes são internalizadas por todos os outros indivíduos. Ao aceitar a legitimidade de uma função para exercer um poder social específico, os indivíduos abdicam de seu próprio poder sobre essa parte da vida social. [...] A abdicação não é um evento histórico que ocorreu num tempo específico do passado; ela é um evento cotidiano que toma forma toda vez que as pessoas se submetem à autoridade.

Ao transformar o poder produtivo da sociedade em uma mercadoria alienável, em atividade vendida por um salário, o capitalismo estendeu a personificação do poder alienado a todos os campos da vida social. Tão logo um indivíduo consente em vender energia produtiva por uma dada soma de dinheiro, essa soma de dinheiro se torna “equivalente” à energia produtiva, o dinheiro possui a potência da energia produtiva. O dinheiro se torna o representante do poder produtivo, dos instrumentos de produção e dos produtos. Assim que todos os indivíduos consentem em vender sua própria energia produtiva, o dinheiro se torna o representante universal do poder produtivo da sociedade. É nesse ponto que as forças produtivas da sociedade se tornam Capital, que é apenas outro nome para o poder das forças produtivas representadas por uma soma de dinheiro. Tão logo essas forças produtivas assumem a forma de Capital, os possuidores de grandes somas de dinheiro são Capitalistas, personificações do poder produtivo representado por sua soma de dinheiro, personificações das forças produtivas da sociedade. É a venda do poder produtivo que torna o dinheiro o agente histórico universal. Nesse ponto, cidades são criadas e destruídas, ambientes são transformados, a história é feita, pelo gasto de somas de dinheiro. Nesse ponto, os indivíduos, ou mesmo comunidades, abdicaram de seu poder de construir ambientes que os satisfaçam. Apenas os investidores, personificações de toda construção social, cujo poder reside na potência criativa de seu dinheiro, são capazes a construir ambientes."

"Cada ato que ocorre na esfera de influência de uma personificação está fora de alcance para um indivíduo. Os indivíduos não apenas veem a ação de seus próprios poderes sobre o ambiente como ilegítima, moralmente errada; eles se sentem inaptos para exercer tais poderes: as personificações são capazes de fazer tudo; o indivíduo é incapaz de fazer qualquer coisa."

"Entretanto, a criação da impotência universal não é a única conquista histórica do capitalismo. O outro lado da figura é uma democracia verdadeiramente representativa na qual cada indivíduo é apto para participar em ao menos um fragmento do poder personificado da sociedade. Essa democracia é tornada possível por duas características dos representantes universais das forças produtivas da sociedade: ela é líquida, e assim pode correr de mão em mão independentemente da posição ou função social, e ela é infinitamente divisível, permitindo a todos tê-la. Assim enquanto todos são privados de poderes autônomos [self-powers] sobre o ambiente social, ninguém é excluído de uma partilha dos poderes personificados."

"Por exemplo, um “bom eletricista” é aquele que faz nem mais nem menos do que é prescrito à função, ou técnica, dos “eletricistas”. O propósito de um “bom eletricista” não é sob qualquer circunstância o resultado singular de um encontro particular de um indivíduo específico com certos instrumentos. O “serviço” é o resultado padrão esperado dessa função. Qualquer outro “bom eletricista” deverá efetuar exatamente o mesmo resultado. Em outras palavras, os poderes residem na função, e o indivíduo é meramente um instrumento mais ou menos eficiente da função. Consequentemente, a medida que o ser humano se torna uno com uma função, identifica seus próprios poderes com os poderes da função, ao ponto de os seres humanos se tornarem uma personificação de certos poderes sociais e negarem a si mesmos ou si mesmas como seres humanos. Um indivíduo que se torna o que “nós os eletricistas”, “nós os doutores” ou “nós os professores” são, se torna uma coisa que responde de um modo padrão específico, que executa sua rotina especial esperada, sempre que ela é ativada pelo dinheiro. Essa internalização dos poderes personificados é o cimento que mantém coesas as relações sociais."



Link para o texto completo:
O crepúsculo das personificações

sexta-feira, 18 de março de 2016

Concisíssimo resumo da ópera


Resumo da ópera em que estamos: 

"[...] o fascismo foi a conseqüência de dois fracassos: o primeiro, dos revolucionários, que foram massacrados pelos sociais democratas e seus aliados liberais; o segundo, dos liberais e social-democratas incapazes de gerenciar efetivamente o capital."  (Jean Barrot/Gilles Dauvé - Fascismo & Antifascismo).

O nazifascismo foi justamente um movimento da "classe média", a união do "povo" em torno da nação, raça, etnia, cultura "ancestral" contra bodes expiatórios imaginários, situação surgida após o massacre da luta de classes (que é internacionalista) pela social-democracia (dirigida por um operário, Ebert, responsável inclusive pelo assassinato de Rosa Luxemburgo), que prometia à burguesia conciliar as classes, desarmando o proletariado, mas que, após executar isso, já não tinha nenhuma serventia para a classe dominante, principalmente quando a crise econômica piorava a cada ano. É importante lembrar que, imediatamente antes disso tudo, o fator determinante foi que a I Guerra mundial terminou devido aos soldados de todos os lados das trincheiras terem passado a se recusar a matar uns aos outros, voltando as armas contra seus próprios generais, e os operários passaram a se recusar a obedecer nas fábricas, buscando fazer conselhos de operários e soldados (sovietes) para transformar a sociedade, entre 1917-1924. Esse movimento mundial simultâneo consistiu em revoluções e rebeliões por toda parte, China, Brasil, França, Argentina, África do Sul, México, Itália etc etc e na própria Alemanha (revolução espartaquista), com a perspectiva de que a revolução mundial iria vencer. A revolução russa foi apenas uma revolução entre essas, mas como foi logo isolada (as outras no resto do mundo foram massacradas pela contra-revolução, seja social-democrata, liberal ou fascista como na Itália), resultou necessariamente em mero capitalismo estatizado, ou mais uma variedade de sociedade de classes.


A situação atual no Brasil desde os anos 2000 pode ser entendida como repetição preventiva dessa dinâmica contra-revolucionária. Preventiva porque a classe dominante aprendeu com os acontecimentos da primeira metade do século XX que deve fazer tudo que puder para que o proletariado nunca mais surja como classe autônoma mundial (pois isso coloca diretamente a superação da sociedade de classes), e para isso, financia e instaura governos social-democratas (no caso, o PT) que, preventivamente, buscam fazer uma conciliação de classes, "reunir a nação". Épocas de crescimento da economia são propícias para o objetivo conciliador de fazer os salários e benefícios subsidiados acompanharem o aumento da produtividade, mas em épocas de estagnação ou decrescimento não resta à burguesia senão a repressão salarial e social, em especial quando o proletariado já está (como hoje) profundamente esmagado e dominado pela social-democracia, que se torna desnecessária para garantir a continuidade "normal" dos negócios. Os proletários, ao serem esmagados como classe, se reduzem à átomos vendedores e compradores tão "livres e iguais" quanto os burgueses (daí, no capitalismo, só pode haver uma classe reconhecida: "classe média", infinitamente subdivisível numa escala que vai de classe média alta alta alta até baixa baixa baixa, em que até o mais miserável é "classe média" em relação à alguém ainda mais miserável), com a particularidade "privada" de que a única mercadoria que os proletários tem para vender é a si mesmos (sua força de trabalho) e os únicos compradores dessa mercadoria viva são os empresários, estatais ou particulares, que, outra particularidade "privada", os coloca para trabalhar para acumular trabalho morto, capital, para que os trabalhadores construam ativamente o próprio poder hostil que os priva de meios de vida e os força a se submeter sempre mais intensa e extensamente aos empresários e ao Estado.

humanaesfera, março de 2016



Bibliografia: 
Referência essencial para entender a história do Estado no capitalismo e o que ocorre hoje:  
Fascismo & Antifascismo (Jean Barrot/Gilles Dauvé):
Uma análise histórica de como o Estado é tornado ditadura ou democracia conforme as necessidades do capital a cada momento, da relação disso com a luta autônoma do proletariado, e da ilusão daqueles (inclusive anarquistas) que aderem ao Estado democrático (contra o fascismo) como se isso não fosse aderir à repressão e eliminação da luta autônoma do proletariado.

Curiosidade: parece que a história se repete mais uma vez como farsa até nos detalhes mais superficiais: fotos do ex-operário Friedrich Ebert





quinta-feira, 10 de março de 2016

Luta de classes e forma-valor


Sobre luta de classes (isto é, o antagonismo cotidiano internacionalista, não confundir com instituições "mediadoras", como sindicatos e partidos), não se trata de positivisticamente apoiar um "dado", um "fato", mas de afirmar a única posição honesta e necessária diante da situação com que nos deparamos, essa situação é: 


A) massacre mútuo dos proletários, que, esmagados como classe, se unem a suas classes dominantes étnicas, empresariais ou nacionais em nome de combater bodes expiatórios ("estrangeiros", "vagabundos", "favelados", "concorrentes", "imperialistas", "financistas judeo-comunistas que querem dominar o mundo"....), esmagando a si mesmos; (um anticapitalismo sem luta de classe desemboca necessariamente em algum anti-capitalismo identitário, etno-socialismo, nacional-socialismo, ou seja, fascismo - inclusive estalinista); (Isso é melhor explicado aqui)

B) a interdependência mundial decorrente do mercado mundial, fazendo a superação (contra retrocesso reacionário) deste ser possível apenas por uma ação mundial que liberta os fluxos produtivos da propriedade privada. Só isso permitiria à população mundial superar a mercadoria, a forma valor, e formar um novo modo de produção libertário. (Isso é melhor explicado aqui)

C) Mas a tese principal é que a única força que sustenta a forma-valor é a proletarização: a propriedade privada (isto é, o Estado e seu subterrâneo inseparável, o crime) coage a população a ter que vender algo para sobreviver, mas sem ter nenhuma mercadoria a oferecer, só lhe resta vender a si mesma, oferecendo suas capacidades como objeto de consumo para os capitalistas em troca do salário. Ou seja, oferecem uma mercadoria (força de trabalho) cujo valor de uso é obedecer aos ditames do capital para gerar valor. A coação à vender as capacidades humanas é o único fundamento da valorização incessante do valor. Consequentemente, a luta pela superação do valor é necessariamente a luta do proletariado (daqueles que são privados das condições de vida e produção), enquanto que a classe dominante luta necessariamente pela preservação do valor. Em suma: é impossível a superação da mercadoria sem a luta de classes.

humanaesfera

quinta-feira, 3 de março de 2016

Sobre organização


"[...]A gangue política, em suas relações externas, tende a mascarar a existência da “panelinha”, já que ela deve seduzir para recrutar. Ela se enfeita com um véu de modéstia a fim de aumentar seu poder. Quando a gangue apela a elementos externos por jornais, revistas e panfletos, ela pensa que deve falar no nível da massa para ser entendida. Ela fala do imediato porque quer mediatizar. Considerando todos que estão fora da gangue imbecis, ela se sente obrigada a publicar banalidades e asneiras a fim de seduzi-los. No fim, a gangue mesma é seduzida por suas próprias asneiras e é assim reabsorvida pelo meio social circundante. Contudo, outra gangue tomará seu lugar, e seu primeiro vagido será atribuir àqueles que a precederam todos os erros e crimes, procurando desta maneira uma nova linguagem a fim de começar novamente a grande prática da sedução; para seduzir, ela deve parecer diferente das outras.

Uma vez dentro da gangue (isto é, qualquer tipo de negócio), o indivíduo é amarrado a ela mediante todas as dependências psicológicas da sociedade capitalista. Se ele mostra qualquer habilidade, esta é explorada imediatamente sem que o indivíduo tenha tido a chance de dominar a "teoria" que aceitou. Em troca, ganha uma posição na “panelinha” dominante e se torna um chefete. Se ele não mostra habilidades, ganha uma posição, do mesmo jeito - entre sua admissão na gangue e seu encargo de divulgar a posição dela. Mesmo naqueles grupos que querem escapar do estabelecido, ainda assim um mecanismo de gangue tende a prevalecer por causa dos diferentes graus de desenvolvimento teórico entre os membros que compõem o grupo. A incapacidade de confrontar com independência as questões teóricas leva o indivíduo a se refugiar atrás da autoridade de outro membro, que se torna, objetivamente, um chefe, ou então da entidade grupal, que se torna uma gangue. Nas relações com pessoas de fora do grupo, o indivíduo usa seu pertencimento nele para excluí-las e se distinguir delas, no mínimo - em última análise - para evitar que sua fraqueza teórica seja percebida. Pertencer para excluir, esta é a dinâmica interna da gangue; que é fundada numa oposição, seja ou não admitida, entre o exterior e o interior do grupo. Mesmo um grupo informal degenera em bando político: o caso clássico da teoria se tornando ideologia.

O desejo de pertencer a uma gangue vem da vontade de ser identificado com um grupo que carrega um certo grau de prestígio, prestígio teórico para os intelectuais, e prestígio organizacional para o assim chamado homem prático. A lógica comercial também entra na formação "teórica". Com uma crescente massa de capital para realizar, isto é: mercadorias ideológicas para vender, é necessário criar uma profunda motivação a fim de que as pessoas comprem essas mercadorias. Para isto, a melhor motivação é: aprenda mais, leia mais, para ser o melhor, para se distinguir da massa. Prestígio e exclusão são os signos da competição em todas as suas formas; e é assim também entre essas gangues, que devem se vangloriar de sua originalidade, de seu prestígio, para chamar a atenção. É por isto que o culto da organização e a glorificação das distinções da gangue se desenvolvem. Deste ponto em diante, a questão não é mais defender uma "teoria", mas preservar uma tradição organizacional (cf. O PCI e sua idolatria da esquerda italiana).

Com freqüência, a teoria também é adquirida para ser usada em manobras políticas, por exemplo, para apoiar a tentativa de alguém para chegar à liderança ou para justificar a derrubada do chefe atual.

A oposição interior-exterior e a estrutura de gangue levam o espírito de competição ao extremo. Dadas as diferenças de conhecimento teórico entre os membros, a aquisição de teoria se torna, com efeito, um elemento político de seleção natural, um eufemismo para divisão do trabalho. Enquanto se está, por um lado, teorizando sobre a sociedade existente, por outro, sob o pretexto de negá-la, inicia-se dentro do grupo uma competição desenfreada que acaba numa hierarquização ainda mais extrema do que a da sociedade; sobretudo à medida que a oposição interior-exterior é reproduzida internamente na divisão entre o centro da gangue e a massa de militantes.

A gangue política atinge sua perfeição naqueles grupos que dizem querer superar as formas sociais existentes (formas como o culto do indivíduo, do líder, e da democracia). [...]

O que mantém uma aparente unidade no seio da gangue é a ameaça de exclusão. Quem não respeita as normas é expulso com difamação; e mesmo que saia, o efeito é o mesmo. A ameaça também serve de chantagem psicológica para aqueles que ficam. O mesmo processo aparece de diferentes maneiras em diferentes tipos de gangues.

Na gangue de negócios, moderna forma de empresa, o indivíduo é demitido e vai para o olho da rua.

Na gangue juvenil, o indivíduo é espancado ou morto. Aqui é onde encontramos a revolta em sua forma bruta, de delinqüência; o indivíduo sozinho é fraco, desprotegido, e assim é forçado a entrar na gangue.

Na gangue política, o indivíduo é expulso e caluniado, o que nada mais é do que a sublimação do assassinato. A calúnia justifica sua exclusão, ou é usada para forçá-lo a sair “por sua livre e espontânea vontade".

Na realidade, naturalmente, os diferentes métodos se cruzam de um tipo de gangue a outro. Há assassinatos vinculados a negociações e ajustes de contas que resultam em assassinato.

Assim, o capitalismo é o triunfo da organização, e a forma que a organização assume é a gangue. É o triunfo do fascismo. Nos estados Unidos, a gangue é encontrada em todos os níveis da sociedade. O mesmo acontece na Rússia. A teoria do capitalismo burocrático hierárquico, no sentido formal, é um absurdo, pois a gangue é um organismo informal.

[...] A formação da gangue é a constituição de uma comunidade ilusória. No caso da gangue juvenil, é o resultado da fixação no instinto elementar de revolta na sua forma imediata. A gangue política, pelo contrário, procura manter sua comunidade ilusória como modelo para toda a sociedade. É um comportamento utópico sem qualquer base real. Os socialistas utópicos esperavam que, através da emulação, toda a humanidade seria finalmente incluída nas suas comunidades, mas todas essas comunidades foram absorvidas pelo capital. Assim, esta frase dos estatutos da Primeira Internacional é mais válida do que nunca: "A emancipação dos trabalhadores deve ser obra dos próprios trabalhadores."

Na época atual, ou o proletariado prefigura a sociedade comunista e realiza a teoria comunista, ou então permanece parte da sociedade existente. O movimento de maio de 1968 foi o começo desta prefiguração. Resulta que o proletariado de modo algum pode se reconhecer em qualquer organização já que as sofre todas sob outras formas. O movimento de maio claramente demonstra isto.
[...]

O revolucionário não deve se identificar com um grupo, mas se reconhecer numa teoria que não depende de um grupo ou de um periódico, porque é a expressão de uma luta de classes real. É neste sentido que o anonimato é posto corretamente, e não como negação do indivíduo (o que a própria sociedade capitalista acarreta). O acordo, assim, é em torno de uma obra que está em andamento e precisa ser desenvolvida. É por isto que o conhecimento teórico e o desejo de desenvolvê-lo são absolutamente necessários se a relação professor-estudante - outra forma da contradição mente-matéria, lider-massa - não deve ser repetida, nem reviver a prática de sequazes. Além disso, o desejo de desenvolvimento teórico deve acontecer de modo autônomo e pessoal e não por meio de um grupo que se põe como uma espécie de diafragma entre o indivíduo e a teoria.[...]"

Trechos de Sobre Organização, Jacques Camatte & Gianni Collu


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Contra a metafísica da escassez, copiosidade prática

(English version)

O texto Propriedade privada, escassez e democracia suscitou por toda parte a seguinte objeção:
Cornucópia

"A abundância (superação da escassez) é impossível, uma vez que vivemos em um universo com recursos limitados, não só econômica mas fisicamente;  portanto superar a escassez é uma exigência metafísica, absurda, que necessitaria uma automatização total do universo infinito para entregar à cada indivíduo, elevado ao status de um deus, a realização de seus menores caprichos e arbitrariedades."

Essa objeção interpreta “abundância” como uma categoria metafísica, solipsista, teogônica e psicototalitária. É como falar em “liberdade” abstraindo das relações materiais, sociais e históricas específicas, tomando “liberdade” como uma entidade que existisse em um mundo transcendente e identificando-a no nosso mundo com nonsenses, impossibilidades e aporias, como se na prática ela fosse sempre um nome para disfarçar a escravidão (a conclusão logicamente é o realismo: os escravos devem buscar a liberdade continuando a obedecer ao senhor, porque liberdade só não é um nonsense em um universo metafísico que não tem nada a ver com o da escravidão). 

Mas assim como liberdade, escassez e abundância – fora dos devaneios metafísicos – são coisas radicalmente concretas. 

Pois vejamos: se tu e mais alguém necessitam de algo específico, e há o suficiente para vós todos, então há abundância. Se não há o suficiente, há escassez. Abundância e escassez são sempre de algo específico, material, e não universais metafísicos.


Mas o que importa não são coisas encontradas já prontas, pois não se trata de automatizar por automatizar a produção (afinal, produção nada mais é do que criatividade, expressão humana multilateral no mundo - poética, racional, lúdica, culinária, apaixonada, matemática, artística, paisagística etc etc), mas sim de abolir o trabalho, ou seja, acabar com toda e qualquer atividade que é tão repulsiva, irritante e maçante que ninguém cogita em executá-la exceto em troca de recompensas (salário, cargo, "mérito"...) e sob ameaça de punições (demissão, prisão...), isto é, sob o poder de uma classe dominante (seja ela burguesa, como o empresariado particular nos EUA e Brasil, ou burocrática, como o empresariado estatizado em Cuba e URSS). 


Assim, por exemplo, em um mundo libertário (em que as forças produtivas mundiais deixaram de ser propriedade privada, sendo gratuitamente acessíveis a qualquer um no mundo que deseje se associar autonomamente com quem quiser para buscar satisfazer seus desejos, necessidades, paixões, projetos etc), há gente que deseja algo específico, algo que talvez nem mesmo existe ainda. Eles fazem uma proposta para o mundo (coisa hoje mais do que nunca factível com  telecomunicaçõestecnologia da informaçãointernet...). No mundo, a proposta pode (ou não) despertar em outros o desejo de contribuir para realizá-la, dispondo-se para isso conforme as atividades produtivas às quais são apaixonados (e não por medo nem chantagem, como na sociedade de classes e, em especial, na tirania chamada empresa, seja estatal ou particular). Eles se comunicam e coordenam suas atividades para transportar de várias partes do mundo os materiais necessários, produzir e distribuir essa produção aos que necessitam (tudo isso é hoje muito simples: supply chains).

A produção resultante pode ou não ser suficiente para todos os que a necessitam. Se é suficiente, não há o que discutir: ela é desfrutada livremente, gratuitamente, sem complicações. Mas se não é suficiente, surge a complicada questão da “justiça”: quem tem prioridade? 

[Nota: na sociedade capitalista isso não é uma questão: nela, tem prioridade quem tiver mais dinheiro para pagar. Ou seja, quem mais tiver comando sobre as capacidades criativas alienadas (vendidas) da população, que o endinheirado (capitalista) tiraniza para que trabalhe o mais gratuitamente possível (sobretrabalho: máximo de tempo, na máxima intensidade e pelo mínimo salário possível) para gerar o máximo de lucros para ele (mais-valia). Essa população é o proletariado, a classe daqueles que, privados de toda propriedade das condições de existir por si mesmo (graças à propriedade privada, mantida pelo Estado, concentração da violência armada da classe proprietária), se veem forçados, pela simples necessidade de sobreviver, a vender a única coisa que ainda possuem - a sua vida, oferecendo no mercado de trabalho como objeto de consumo as suas próprias capacidades humanas (força de trabalho) para fazer tudo o que o comprador (a classe proprietária) mandar. Trabalho: a troca da vida pela sobrevivência. Mas deixemos um pouco de falar da tirania atual para voltar a falar de um mundo verdadeiramente libertário, isto é, comunista.]

Como a justiça também não é uma forma platônica eterna sobrenatural que bastaria trazer pronta de um reino metafísico para aplicá-la aqui, não há nenhuma maneira de resolver a questão senão com uma democracia material em que os envolvidos decidam por si mesmos um critério do que é justo e também para evitar que alguns monopolizem o que for escasso para forçar outros, mediante ameaças e promessas baseadas na privação dos outros desse escasso (fazendo reaparecer a propriedade privada), a trabalhar para eles (ou seja, comprar deles) e restabelecer a sociedade de classes. 

Então é necessário aos envolvidos votar para decidir algum critério considerado mais justo sobre o que fazer com algo escasso: sorteio, repartição igualitáriadistribuição conforme os mais necessitados, ou conforme a participação em alguma atividade específica vista como necessária por todos, ou mesmo armazenar para suportar algum período de dificuldade... (nota: a tecnologia da informação já existente, torna facílimo disponibilizar mundialmente aos envolvidos meios de votar e debater)


O ideal, claro, é que a escassez de cada produção seja superada, isto é, que haja o suficiente para todos que necessitam dela e que não seja necessária essa complicação democrática entre produção e desfrute. Provavelmente, como ninguém quer passar necessidade (e como as complicações que o escasso envolve são chatíssimas), haverá sempre propostas para que a escassez de cada produção seja superada, e aqueles em todo o mundo que são apaixonados por meios de produção, ciência, máquinas, informática, robótica, meios de comunicação etc podem ser atraídos pela proposta, ajudando a criar e desenvolver materialmente as condições para isso. 

A questão de não destruir o ambiente natural em que vivemos só pode ser levantada e assumida pelos próprios envolvidos, a partir do que considerarem (mediante conhecimento, ciência, ética, técnica etc) necessário fazer e capacitados para fazer. Porque não existe nenhum ponto referencial "superior" (como a fantasia mitológica/teológica de uma providência chamada "natureza", "gaia") fora das necessidades e capacidades dos próprios seres humanos para eles mesmos decidirem suas vidas e suas ações.

Apesar do que parece, este assunto não é especulação futurista, mas uma necessidade do proletariado de hoje em todo o mundo. Porque seus velhos métodos de luta (greves, manifestações, ocupações etc) estão mais do que domesticados pelos empresários e burocratas. Estes perdem cada vez mais o medo da revolução social e portanto já estão há 30 anos retirando todos os "direitos democráticos" que Estados e empresas foram forçados a adotar para evitar o comunismo e a anarquia durante os 50 anos anteriores (dos anos 1920 aos 1970). 


Por isso, essa perspectiva é uma necessidade prática aqui e agora: "a superação da greve por uma tática de continuar a produção, mas como produção livre (gratuita) para e pela população, suprimindo a divisão emprego/desemprego nesse momento (abolição da empresa). Começando primeiro numa cidade, a difusão dessa experiência será tão apaixonante (incontível), que rapidamente, em um ou dois dias, se difundirá pelas principais metrópoles do mundo. O mapeamento da interconexão dos fluxos e estoques da produção mundial, cada vez mais completo, vai permitindo à população descobrir quais produções não servem para ela, desativando-as, e modificando outras. Os governos e as forças repressivas não tiveram tempo para estudar e coordenar um ataque e nem há mais condições para isso, pois a produção que sustenta essa condições está nas mãos da população. Os soldados, fraternizando, dão as armas para a população e se juntam a ela. Os que resistem tem suas condições de existências cortadas até que se rendam. Em menos de uma semana, o mundo inteiro estará sob o modo de produção associado, o comunismo. Senão, quanto mais a difusão global se retarda, chegando a apenas uma parte do mundo, a medida que os estoques vão acabando, mais insustentável (materialmente falando e em termos de repressão) se torna o modo de produção comunista. Pois mais se é privado dos materiais que a outra parte do mundo ainda não transformado possui como propriedade privada (estatal ou particular), forçado-a a trocar (comprar/vender) com ela para repor os estoques. Ou seja, é forçada, para comprar dela, a trabalhar para ela - e a reproduzir internamente o mesmo modo de produção capitalista, havendo o risco de o comunismo se tornar mera cobertura ideológica de uma nova variedade de exploração capitalista." (Breve crítica à ideia de economia paralela anticapitalista)

humanaesfera, janeiro de 2016



Bibliografia (com links):
-A reprodução da vida quotidiana, por Fredy Perlman
-Eclipse e Reemergência do Movimento Comunista (1972), por Jean Barrot e François Martin
-Dois textos contra o trabalho (1979 e 1982), por GCI
-Agora e Depois: O ABC do comunismo libertário (1929), por Alexander Berkman
-Le Humanisphère (1857), por Joseph Déjacque
-Nova Babilônia (1959-74), por Constant Nieuwenhuys (publicado no Dossiê "Constant", revista Sinal de Menos nº 5)
-Red Star (1908), por Alexander Bogdanov
-Um Mundo sem Dinheiro: o Comunismo (1975-76), por Os Amigos dos 4 Milhões de Jovens Trabalhadores
-Questionário (1964), por Internacional Situacionista (dossiê Internacional Situacionista)
-Crise e Autogestão (1973), por Négation
-A rede de lutas na Itália ( anos 1970), por Romano Alquati
-Kropotkin: Textos Escolhidos - org.: Mauricio Tragtenberg
-Grundrisse, A Ideologia Alemã (capítulo: Feuerbach) e Comentários sobre James Mill, por Karl Marx
-Marx comunista individualista! (trechos sobre o indivíduo em Marx)
-O Anti-Édipo, por Deleuze e Guattari



[Para uma resposta filosófica aos que insistem na metafísica da escassez, clique aqui para ver o texto DISSECANDO A METAFÍSICA DA ESCASSEZ]





Continuação das reflexões deste texto: 


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